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Ardha Matsyendrasana — O Giro da Consciência

26 de nov de 2025

3 min de leitura

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Ardha significa metade; Matsya, peixe; Indra, senhor ou sábio; e Asana, postura. Entre os antigos contos do Yoga, há uma história que fala sobre Matsyendranath, um pescador simples que um dia foi engolido por um grande peixe e levado às profundezas do oceano.

Enquanto Shiva ensinava à sua consorte Parvati os segredos da libertação, ela adormeceu. Ao perceber o silêncio, Shiva perguntou se ainda o escutava — e, das águas profundas, uma voz respondeu “sim”.Era o peixe que, atento, absorvia cada palavra. Intrigado, Shiva percebeu que dentro dele havia um homem — Matsyendra — e, com compaixão, passou a instruí-lo nos mistérios do Yoga.

Ali, envolto em silêncio e escuridão, Matsyendra praticou. Quando o peixe foi finalmente pescado, ele emergiu não apenas das águas, mas da ignorância — tornando-se o primeiro dos grandes mestres humanos do Hatha Yoga.

A postura que leva seu nome, Ardha Matsyendrasana, a meia postura do Senhor dos Peixes, representa esse mergulho interior. É um convite para silenciar o externo, ouvir com atenção e deixar que a consciência gire em direção ao que realmente importa: o despertar.


História e Simbolismo

Ardha Matsyendrasana simboliza o movimento espiral da consciência, o fluxo da Kundalini Shakti, a energia vital que ascende pela coluna despertando cada centro sutil. Ao girar o corpo, o praticante experimenta o paradoxo do Yoga: imobilidade e fluidez coexistindo.O olhar se volta para o passado, o peito se abre para o futuro — e no ponto entre ambos, o presente se manifesta com plenitude.

Assim como Matsyendra despertou das águas da inconsciência, o praticante desperta da inércia, limpando os canais de energia (nadis) que conectam corpo, mente e espírito.


Benefícios e Aplicações na Yogaterapia

Na Yoga Terapia, Ardha Matsyendrasana é reconhecida como uma das posturas mais completas, agindo simultaneamente nos sistemas digestivo, respiratório e nervoso. Seus benefícios incluem:

  • Estímulo ao fígado, pâncreas e rins, auxiliando na desintoxicação e no equilíbrio metabólico;

  • Melhora da digestão e alívio de gases, constipação e acúmulo de toxinas;

  • Aumento da mobilidade vertebral e fortalecimento dos músculos paravertebrais e abdominais;

  • Regulação do sistema nervoso autônomo, favorecendo o controle do estresse e da pressão arterial;

  • Harmonização dos fluxos sutis Ida e Pingala, representando o equilíbrio entre as energias feminina e masculina.

No campo emocional, essa torção é especialmente indicada para quem carrega ressentimentos ou dificuldade em “olhar para trás”.Seu giro corporal atua como um gesto simbólico de perdão e reconciliação — uma libertação silenciosa das amarras do passado.


Como Entrar na Postura

  1. Sente-se em Dandasana (pernas estendidas à frente).

  2. Dobre o joelho direito e traga o pé direito por fora da perna esquerda, apoiando-o próximo à coxa.

  3. Mantenha a perna esquerda estendida — esta é a versão Ardha (meia).Na versão completa (Matsyendrasana), a perna esquerda se dobra, com o calcanhar em direção ao quadril direito.

  4. Inspire profundamente, alongando a coluna — imagine um eixo de luz que se eleva da base até o topo da cabeça.

  5. Ao expirar, gire o tronco para a direita, abraçando o joelho com o braço esquerdo e apoiando a mão direita atrás do corpo.

  6. O olhar (drishti) repousa por sobre o ombro direito, com o pescoço alongado e os ombros relaxados.


Permanência

Permaneça por 5 a 10 respirações lentas e conscientes. Deixe que o ar encontre o caminho natural dentro do corpo. A cada expiração, o giro se aprofunda — não pela força, mas pela entrega.

Essa postura é uma dança silenciosa entre esforço e rendição, entre o fazer e o permitir. Durante a permanência, visualize a energia subindo em espiral pela coluna, purificando os canais internos e despertando a clareza mental.


Saída da Postura

Inspire e, com suavidade, retorne ao centro, desenrolando a coluna vértebra por vértebra. Repita o mesmo processo para o outro lado, respeitando o equilíbrio entre as duas metades do corpo. Após completar, permaneça alguns instantes em Dandasana ou Sukhasana, observando os efeitos sutis da torção e o eco silencioso que ela deixa.


Conclusão

Ardha Matsyendrasana é mais do que uma torção física — é um giro da consciência. Assim como o peixe que ouviu Shiva e despertou para a sabedoria, o praticante aprende a ouvir a própria respiração, a própria história e o próprio ser.

Quando giramos o corpo, também giramos o destino — libertando o que estava preso no tempo e abrindo espaço para o novo fluir.

No Yoga Morungaba, essa postura é um lembrete de que o despertar começa pela escuta. Entre o inspirar e o expirar, no intervalo sutil do silêncio, mora o mesmo ensinamento que Shiva transmitiu às profundezas do oceano: toda transformação verdadeira nasce de dentro.

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